Quando se fala de disfunção eréctil, costumamos pensar em causas físicas ou na idade. Mas há um fenómeno psicológico muito frequente do qual pouco se fala: o papel do observador. Na entrevista que lhe fizemos no nosso canal de YouTube, o psicólogo e sexólogo Raúl Padilla explica por que motivo a nossa própria mente pode tornar-se no maior obstáculo durante o sexo e como se forma o círculo vicioso entre ansiedade e desempenho.
Se quiseres saber mais sobre o tema ou ver a entrevista completa com o Raúl, podes fazê-lo no canal de YouTube da VivelaVita:

O que é o papel do observador no sexo?
O papel do observador (em inglês, spectatoring, um termo que os investigadores Masters e Johnson descreveram) consiste em observar-se e avaliar-se de fora durante a relação sexual, em vez de vivê-la.
Raúl compara isto ao que acontece quando alguém se coloca em frente a uma câmara e lhe dizem «fica natural»: é impossível, porque algo que deveria surgir de forma espontânea passa a estar pensado, analisado e julgado. Essa avaliação constante e essa crítica interna são o síndrome do espectador.
Segundo explica, nas mulheres pode levar à anorgasmia ou a uma menor lubrificação, e para isto último existem os lubrificantes. Nos homens o efeito costuma ser vivido de forma mais dramática, porque se traduz em dificuldades para conseguir ou manter a ereção.
O círculo vicioso entre ansiedade de desempenho e disfunção eréctil
Para Raúl, a origem está em converter o sexo numa obrigação: «se te amo, tenho que te proporcionar prazer». Esta ideia instala um plano na cabeça e faz com que a pessoa supervise cada passo para que corra bem.
Quanto mais se tenta controlar a ereção («tenho que ter uma ereção, tem que durar»), mais difícil é consegui-la.
Explica isto com uma analogia muito gráfica: se temos uma quantidade limitada de sangue e «duas cabeças», a que vai para a de cima (a que pensa e vigia) desaparece da de baixo. E acrescenta outra ideia-chave: o que vivemos como uma obrigação deixa de ser um desejo e perde o seu encanto.
Este ciclo costuma começar de duas maneiras:
- Pela educação sexual recebida, muitas vezes baseada no porno, que transmite que o sexo é desempenho e que é necessário estar sempre a 100 %.
- Por um episódio pontual: num dia não apetece, comeste demasiado ou algo te distrai, não há ereção e aparece o medo: «vai voltar a acontecer».
Em ambos os casos, a pessoa acaba por vigiar a sua ereção em vez de desfrutar de tudo o que tem diante de si. E, como lembra Raúl, há vida para além da penetração.

Por que a ansiedade bloqueia a ereção
A ansiedade sobrepõe-se à fase de desejo da resposta sexual, «as borboletas». Quando o que temos diante é apetecível, o sistema nervoso ativa-se para procurá-lo. Mas quando o cérebro interpreta isso como uma ameaça, passa para modo medo, perigo e rejeição, não nos levando à excitação nem ao orgasmo.
Por isso, explica Raúl, há homens que não conseguem uma ereção, mesmo que tomem medicação: estão tão assustados que o cérebro reage como se fosse aparecer um leão, e numa situação de perigo o corpo inibe a ereção. Paradoxalmente, o papel do observador surge porque queremos que as coisas funcionem, e prestamos-lhes tanta atenção que deixam de funcionar.
Que papel tem o parceiro?
Para Raúl, o parceiro é um «ator secundário»: os medos e a exigência vêm da própria pessoa, que tenta agradar e satisfazer o parceiro. Por trás costuma haver uma educação sexual deficiente que apresenta o homem como aquele que proporciona prazer e a penetração como o único que conta.
O que o parceiro pode fazer é falar. Raúl insiste na comunicação: não tem que ser na cama nem durante o sexo, mas sim em algum momento, para falar sobre o que aconteceu, sobre o que cada um quer e sente e sobre o que pensa que espera a outra pessoa. Na consulta, vê-se frequentemente que a ideia que alguém tem do que pensa o seu parceiro não se assemelha em nada ao que o seu parceiro realmente pensa.

Como sair da cabeça e voltar ao corpo
Estas são as chaves que Raúl Padilla partilha na entrevista:
- Fazer um «click»: entender o sexo como prazer próprio, um «egoísmo positivo», em vez de vivê-lo apenas como a obrigação de que o parceiro desfrute. Segundo Raúl, conseguir esta mudança é ter 50 % conquistado.
- Explorar as tuas sensações, mesmo quando estás sozinho, e descobrir quais são as posições e estímulos que mais gostas.
- Mudar quando algo cansa, em vez de continuar por obrigação.
- Não te forçares: se não te apetece, não tens que fazê-lo, por muito que se espere de ti um papel de «macho alfa».
- Questionares-te para quê: diante da dúvida de «como posso durar mais», Raúl convida a pensar para que se quer durar mais, e recorda que o sexo não é uma competição. Estar abraçados também é uma relação sexual prazerosa.
- Pedir ajuda profissional se esta situação te preocupa ou afeta o teu bem-estar.
Se os problemas de ereção se repetem, também é importante consultar um profissional de saúde para descartar causas físicas.

Recursos que podem ajudar-te
Além do acompanhamento profissional, na VivelaVita tens uma seleção de produtos para os problemas de ereção e de anéis para o pénis, que podem ajudar a manter a ereção mais firme. Se é a tua primeira vez, no nosso blog explicamos como se coloca um anel para o pénis.
Raúl Padilla atende em consulta presencial em Madrid, na zona de Retiro, e também por videoconferência ou telefone. Oferece atendimento ao domicílio em casos concretos, como a agorafobia, e organiza grupos de crescimento sexual e workshops pontuais. Podes conhecer mais sobre o seu trabalho na sua web: raulpadilla.es. Se precisares de resolver qualquer dúvida, podes contactar com a equipa da Vivelavita e ajudaremos com orientação profissional.
💜 O teu bem-estar é a nossa razão de ser; obrigado por nos permitir fazer parte dele.

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