Falar sobre sexualidade continua a gerar muitas dúvidas, expectativas e até frustrações. Durante anos, aprendemos como “deveria” ser o sexo através de filmes, ficção ou mensagens que fomos normalizando sem questioná-las demasiado.
É necessário atingir o orgasmo ao mesmo tempo? É a penetração a prática principal para desfrutar? Ter um orgasmo significa automaticamente ter tido bom sexo?
No último episódio do podcast de VivelaVita, falamos sobre tudo isso com Marina Castro, psicóloga especializada em sexologia e terapia de casal, para entender melhor como funciona o orgasmo e por que muitas vezes a pressão pode se tornar o maior obstáculo.

Pode ver aqui a entrevista completa e ouvir todas as explicações de Marina Castro.
O que é realmente um orgasmo?
Um dos primeiros conceitos que Marina explicou durante a entrevista é que o orgasmo não depende apenas da estimulação física.
Longe de ser uma resposta automática que possamos “ativar” à vontade, o orgasmo é um processo complexo onde intervêm vários fatores:
- Fatores hormonais
- Fatores físicos
- Estado emocional
- Educação sexual recebida
- Nível de atenção e concentração
- Expectativas sobre o encontro
- Pavimento Pélvico
- Pressão ou ansiedade durante as relações
O problema surge quando transformamos o orgasmo numa meta obrigatória. Pensamentos como “tenho que chegar”, “por que ainda não aconteceu?”, “deveria estar sentindo mais”, “o que estou fazendo errado?” fazem com que muitas pessoas entrem num estado de vigilância constante e análise interna que acaba interferindo na experiência.

Durante a entrevista, Marina utilizou uma comparação muito visual: quando alguém se deita pensando continuamente “tenho que dormir porque amanhã acordo cedo”, geralmente ocorre o contrário e fica ainda mais difícil conciliar o sono. Com o orgasmo pode acontecer algo semelhante. Quando toda a atenção está voltada para conseguir um resultado, deixamos de nos conectar com as sensações, o prazer e o momento presente. E é precisamente aí que pode surgir um dos principais bloqueios.
Mais do que transformar o orgasmo num objetivo, a proposta da sexologia passa por centrar a atenção na experiência, no prazer, no conforto e na conexão durante o encontro.
O grande mito: é necessário atingir o orgasmo ao mesmo tempo?
Um dos temas mais comentados da entrevista foi essa ideia tão difundida do “orgasmo simultâneo”.
Filmes, ficção e determinadas mensagens culturais construíram durante anos a imagem de que uma relação sexual bem-sucedida implica que ambas as pessoas cheguem ao orgasmo ao mesmo tempo.
No entanto, desde a sexologia , a realidade é muito mais ampla. Durante a conversa, Marina explicou que cada pessoa tem ritmos de excitação distintos e formas diferentes de experimentar o prazer.
Buscar constantemente a sincronização perfeita pode acabar gerando pressão, desconexão e frustração.
O objetivo não deve ser cumprir um roteiro perfeito, mas sim desfrutar do encontro.

O orgasmo nem sempre significa ter tido bom sexo
Outra das mensagens mais potentes do episódio foi desmontar uma ideia muito estabelecida socialmente: ter um orgasmo não significa sempre ter desfrutado de uma boa experiência sexual.
E também ocorre o contrário. Pode existir satisfação, conexão e prazer mesmo que o orgasmo não apareça.
A conversa colocou o foco em algo que muitas vezes esquecemos: O prazer não deveria se transformar numa corrida com uma meta obrigatória.
Quando toda a atenção está voltada apenas para “chegar”, muitas vezes deixamos de desfrutar do que está acontecendo durante o caminho.
A comunicação continua a ser uma tarefa pendente
Falar sobre sexualidade dentro do casal continua a ser complicado para muitas pessoas.
Expressar necessidades, preferências ou explicar o que gostamos pode gerar desconforto, insegurança ou medo de que a outra pessoa se sinta julgada.
Marina insistiu numa ideia importante: "não existe uma fórmula universal que funcione igual para toda a gente".
Cada pessoa vive a sexualidade de maneira diferente. Por isso, a comunicação e a capacidade de se descobrirem mutuamente continuam a ser ferramentas fundamentais.
Marina Castro: "muitas vezes, funciona melhor a comunicação não verbal, a exploração compartilhada e entender que cada vínculo requer aprendizado".
O problema das expectativas irreais sobre o sexo
Outro dos pontos centrais da conversa foi o impacto que têm as expectativas.
Ideias como:
- “Deveríamos chegar ao orgasmo ao mesmo tempo”
- “Há apenas uma maneira correta de desfrutar”
- “Se não acontecer de certa forma, algo está errado”
podem gerar mais pressão do que prazer.
Marina Castro: "o bom sexo não precisa sempre se parecer com o que aprendemos vendo ficção".
Aprender sobre sexualidade também é bem-estar
Uma das mensagens finais que Marina Castro quis transmitir é a importância da educação sexual.
Entender como funciona o nosso corpo, questionar mitos e ter informação rigorosa pode nos ajudar a viver a sexualidade de forma mais consciente e livre de exigências pouco realistas.
Porque entender o prazer também faz parte do bem-estar.
Quer continuar a aprender sobre sexualidade?
Ao longo desta entrevista, Marina Castro, profissional da sexologia, ajudou-nos a desmontar crenças muito difundidas sobre o orgasmo, o prazer e as relações sexuais.
Se deseja continuar a aprofundar-se nestes temas, pode encontrar mais informações, artigos e recursos divulgativos através dos seus canais profissionais.
De VivelaVita continuaremos a trazer-lhe conversas reais, informação útil e especialistas que nos ajudam a trilhar o caminho para o nosso bem-estar.

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