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Ciúmes no casal: por que surgem e como geri-los sem danificar a relação

Atualizado em 27/08/26 | Escrito por Rocío Moñino
Ciúmes no casal: por que surgem e como geri-los sem danificar a relação

É um tema que custa discutir, mas que surge em praticamente todas as relações em algum momento: os ciúmes. Às vezes são leves e passageiros, mas outras vezes intensificam-se ao ponto de gerar discussões, ansiedade ou desgaste no casal. Para entender o que realmente está por detrás dos ciúmes e como geri-los, falámos com a Susana Alba Cardeli, psicóloga clínica e orientadora escolar formada na Universidade de Oviedo, que atualmente trabalha no Gabinete Psicologia Integral.

Se quiseres ver a entrevista completa, podes clicar neste link para a veres no YouTube.

Os ciúmes são normais ou um sinal de alarme?

Segundo explica Susana Alba, os ciúmes são uma emoção, tal como a tristeza ou a alegria, ainda que frequentemente a carreguemos com uma conotação negativa. Estão muito relacionados com o medo: são uma sensação de ameaça, de alerta, de pensar que a outra pessoa nos vai abandonar ou trair de alguma forma. Não são exclusivos do casal — também surgem em amizades ou no âmbito profissional.

Em pequenas doses, os ciúmes parecem algo natural. O problema surge quando se tornam muito intensos e frequentes, pois é aí que geram verdadeiro sofrimento, tanto em quem sente como em quem recebe.

Como se manifestam os ciúmes: o que sentimos, pensamos e fazemos

Toda emoção tem três vertentes —o que sentimos, o que pensamos e o que fazemos— e os ciúmes não são exceção. Susana Alba resume assim:

  • A nível físico: ativação fisiológica evidente, sensação de medo no estômago, semelhante ao que ocorre com o medo.
  • A nível de pensamento: ruminações, pensamentos obsessivos e repetitivos.
  • A nível de comportamento: verificações, perguntas frequentes, interrogatórios, verificar o telemóvel ou as redes sociais, necessidade de controlo.

Quando estes três elementos se intensificam, o desgaste no casal aparece em várias áreas ao mesmo tempo: afastamento emocional, diminuição do desejo sexual e, quase sempre, uma comunicação cada vez mais deteriorada.

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Porque aparecem os ciúmes: autoestima, experiências passadas e apego

Não é necessário que exista uma infidelidade real para que os ciúmes apareçam. Segundo a experiência clínica de Susana Alba, há três origens que se repetem com mais frequência:

  1. Baixa autoestima, insegurança e falta de confiança em si mesmo.
  2. Experiências passadas: pequenos traumas ou feridas de relações anteriores em que houve uma situação real de engano ou sofrimento.
  3. Sistemas de apego: a forma como nos relacionamos com as figuras primordiais (normalmente nossos pais) nos primeiros anos de vida. Um apego ansioso ou inseguro, com muita necessidade de aprovação e proteção, pode cobrar seu preço depois nas relações adultas.

A isso somam-se idéias distorcidas ou irracionais, mais ou menos presentes conforme a tendência de cada pessoa a interpretar as situações de forma negativa.

Como falar de ciúmes com o teu parceiro sem que se torne um interrogatório

A comunicação é, segundo Susana Alba, o elemento mais importante para gerir os ciúmes sem que danifiquem o vínculo. A chave está na nuance: não se trata de pedir explicações, reclamar ou interrogar, mas de expressar o que se sente.

Na prática, isto traduz-se em frases do tipo “sinto-me mal”, “estou preocupado ou preocupada” ou “isto que aconteceu interpretei desta maneira”, em vez de exigir contas à outra pessoa. Colocar a emoção sobre a mesa, em vez da acusação, ajuda a que ambas as partes se relaxem e a que o casal possa atuar como apoio mútuo para regular essa emoção.

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Chaves para construir confiança e evitar que os ciúmes se tornem um padrão

A confiança constrói-se dia a dia, e Susana Alba destaca vários elementos chave:

  • Espaços individuais: que cada pessoa mantenha suas próprias amizades, hobbies e momentos de autocuidado. São, nas suas palavras, “muito curativos e reparadores”.
  • Espaços em comum: atividades e momentos partilhados que reforçam o vínculo.
  • A “segunda parte” após uma discussão: algo que muitos casais ignoram. Após um conflito, é preciso um momento de escuta ativa e de reparação —pedir desculpa pelo tom ou pela forma como as coisas foram ditas, mesmo que o motivo do desacordo ainda não esteja completamente resolvido.
  • Romper o guião repetido: Susana Alba compara com uma cena de filme que duas personagens repetem vezes sem conta com o mesmo papel aprendido. Se uma das duas altera a sua forma de agir, a outra tem que se adaptar, e isso é o que permite que a dinâmica da relação se mova.

Esta conversa sobre ciúmes demonstra o quão vital é contar com espaço e orientação profissional para sanar a comunicação e a confiança. Se sentires que os ciúmes estão a afetar a tua tranquilidade ou a dinâmica com o teu parceiro, dar o passo para um acompanhamento especializado faz toda a diferença.

Na nossa plataforma, temos a sorte de colaborar estreitamente com o Gabinete Psicologia Integral, onde profissionais como a psicóloga Susana Alba Cardeli ajudam casais e indivíduos a construir relações mais conscientes, seguras e plenas.

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Rocío Moñino
Escrito pela sexóloga
Rocío Moñino

Rocio Moñino es graduada en Psicología (Nº de colegiada AN11443) y especialista con Máster en Sexología por la Universidad de Sevilla. Psicóloga Sanitaria con varios años de experiencia, ha ejercido en distintos centros y actualmente, es una de las asesoras principales de Vivelavita.


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