·Ajudamos-te a acertar·Sexólogas ao teu lado·Envio 100% discreto·Pague em 3 meses sem juros·Recebe amanhã·15 dias para trocar·Do desejo ao resultado

Para onde vai o desejo? Quebrando mitos com Iolanda Barros da CLIPSIFORM

Atualizado em 05/02/26 | Escrito por Rocío Moñino
Para onde vai o desejo? Quebrando mitos com Iolanda Barros da CLIPSIFORM

Já alguma vez sentiu que o seu desejo sexual desapareceu sem aviso prévio? Ou que você e o seu parceiro não estão "na mesma sintonia"? Não estão sozinhos. Hoje, na Vivelavita, mergulhamos numa conversa honesta e necessária com Iolanda Barros, Psicóloga, Terapeuta de Casal e Sócia Gerente da CLIPSIFORM, para percebermos por que razão o desejo não é uma linha reta e como podemos viver a nossa sexualidade sem pressões.

Uma abordagem humana para a saúde sexual

Vivelavita: De que forma é que o vosso centro integra a sexologia e a psicologia clínica no acompanhamento de pessoas ou casais que atravessam fases de variabilidade no desejo sexual?

Iolanda Barros: "Na CLIPSIFORM, entendemos que o desejo não é um interruptor que se liga ou desliga, mas sim um fenómeno complexo que requer uma abordagem biopsicossocial. Não vemos a sexologia como algo isolado; integramo-la de forma articulada com a psicologia clínica porque as emoções, o contexto e a saúde física estão profundamente interligados."

"O nosso trabalho começa com uma avaliação minuciosa: não olhamos apenas para o sintoma, mas sim para o momento vital da pessoa, as suas dinâmicas relacionais e as expectativas que construiu em torno da sua sexualidade. A partir daí, desenhamos um plano personalizado que pode incluir desde o apoio psicológico até à coordenação com outras áreas da saúde. Para nós, o objetivo não é 'normalizar' ninguém segundo um padrão, mas sim promover a compreensão e o bem-estar, eliminando a carga de culpa e a pressão pelo desempenho que tanto sofrimento geram", conclui Iolanda.

A natureza dinâmica do desejo sexual

Vivelavita: Como define o conceito de variabilidade do desejo?

Iolanda Barros: "A variabilidade do desejo sexual refere-se ao facto de o desejo não ser constante, mas sim dinâmico, podendo aumentar, diminuir ou transformar-se ao longo do tempo. Não é uma característica fixa da pessoa, mas uma experiência que depende do momento vital e do contexto em que o indivíduo se encontra."

Vivelavita: Por que é tão comum existirem flutuações no desejo sexual ao longo da vida?

Iolanda Barros: "As flutuações no desejo sexual são comuns porque o desejo resulta da interação de vários fatores. Do ponto de vista biológico, existem alterações hormonais associadas à idade, ao ciclo reprodutivo, à saúde e ao uso de medicação. Psicologicamente, fatores como o stresse, a ansiedade, o cansaço ou as alterações do estado de espírito têm um impacto direto no desejo. Além disso, o desejo é fortemente influenciado pela dimensão relacional: a qualidade da relação, a comunicação, os conflitos, a rotina e as diferentes fases da relação podem aumentar ou diminuir o interesse sexual."

Homens vs. Mulheres? Desmontando o grande mito

Vivelavita: Existe ainda o mito de que o desejo masculino é constante e o feminino é mais complexo. Na vossa prática clínica, que diferenças e semelhanças reais observam entre homens e mulheres?

Iolanda Barros: "Na prática clínica, esse mito não se confirma. O que observamos é que tanto homens como mulheres apresentam uma grande variabilidade no desejo sexual, com flutuações ao longo do tempo e sensibilidade ao contexto. O desejo masculino não é constante por natureza, nem o feminino é inerentemente mais complexo."

"Uma semelhança importante é que, em ambos, o desejo é influenciado por fatores psicológicos e relacionais, como o stresse, a qualidade da relação, a autoestima, a saúde mental e as experiências anteriores. Homens e mulheres podem também experienciar períodos de desejo elevado, reduzido ou ausente, sem que isto seja patológico."

deseo-libido-vivelavita2.jpg

Por outro lado, Iolanda fala sobre as diferenças: "As diferenças observadas tendem a estar mais relacionadas com expectativas sociais e modelos culturais do que com diferenças biológicas absolutas. Muitos homens sentem pressão por 'terem sempre desejo', o que pode gerar ansiedade de desempenho ou dificultar a procura de ajuda. Muitas mulheres, por outro lado, aprenderam a legitimar menos o seu próprio desejo e a colocá-lo mais em função da relação."

"Observa-se ainda que alguns homens descrevem o desejo como sendo mais espontâneo, enquanto muitas mulheres referem um desejo mais responsivo, que surge no contexto da intimidade — embora estes padrões não sejam exclusivos nem fixos." Iolanda termina descrevendo que a prática clínica evidencia que "a diferença ocorre entre pessoas. O desejo sexual é individual, contextual e mutável".

Os inimigos modernos da libido

Vivelavita: Quais são os principais fatores (emocionais, físicos ou sociais) que hoje em dia mais afetam negativamente o desejo sexual dos vossos pacientes?

Iolanda Barros: "Na prática clínica atual, os fatores que com mais frequência afetam negativamente o desejo sexual distribuem-se em três grandes dimensões: emocional, física e relacional/social:

  • Ao nível emocional, o stresse crónico assume um papel central, frequentemente associado à ansiedade, à depressão e à sobrecarga mental. Estes estados reduzem a disponibilidade psicológica para a intimidade. As questões relacionadas com a autoimagem e a autoestima surgem também de forma recorrente.

  • Do ponto de vista físico, destacam-se a fadiga persistente, a privação de sono, as alterações hormonais, a dor, as doenças crónicas e os efeitos secundários de alguns medicamentos, concretamente psicofármacos e contracetivos hormonais.

  • Na dimensão relacional e social, são frequentes a falta de tempo, a rotina, os conflitos não resolvidos, as dificuldades de comunicação e a diminuição da intimidade emocional. Acrescenta-se ainda a pressão sociocultural em torno do desempenho sexual, que pode gerar ansiedade e afastamento do desejo.

Em conjunto, o desejo sexual revela-se altamente sensível ao contexto de vida, sendo a sua diminuição frequentemente um sinal de sobrecarga — e não de falta de interesse ou afeto."

Quando tu queres e o teu parceiro não: A discrepância de desejo

Vivelavita: Quando existe uma discrepância de desejo num casal (um quer mais do que o outro), qual é o impacto emocional e como se pode gerir?

Iolanda Barros: "A discrepância de desejo sexual é uma das situações mais frequentes na terapia de casal e pode ter um impacto emocional significativo na relação. O membro com maior desejo tende a experienciar frustração, rejeição e diminuição da autoestima, enquanto o membro com menor desejo pode sentir pressão, culpa, ansiedade ou evitamento da intimidade. Com o tempo, esta dinâmica pode gerar ressentimento, distanciamento emocional e dificuldades de comunicação."

"Quando a discrepância não é abordada, o desejo pode tornar-se num tema carregado de tensão, contribuindo para ciclos de exigência e retraimento. É importante sublinhar que a discrepância, por si só, não é patológica, sendo comum e expectável ao longo da vida relacional."

deseo-libido-2-vivelavita1.jpg

Iolanda deixa-nos algumas recomendações sobre como geri-lo: "A gestão desta diferença começa pela normalização da discrepância e por uma comunicação aberta e não acusatória, onde ambos os membros do casal possam expressar necessidades, limites e emoções sem julgamento. É fundamental deslocar o foco da frequência para a qualidade da intimidade, reduzir a pressão associada ao desempenho e reconhecer que o desejo pode surgir de forma diferente para cada pessoa."

O poder da comunicação e da terapia

Vivelavita: De que forma é que a comunicação influencia a perceção do desejo? É possível recuperá-lo através da terapia?

Iolanda Barros: "A comunicação desempenha um papel central na forma como o desejo é percebido no casal. A ausência de um diálogo claro tende a aumentar as interpretações negativas, como associar um menor desejo à rejeição pessoal ou ao desinteresse. Quando o desejo não é verbalizado, surgem facilmente mal-entendidos que amplificam a insegurança, a culpa e a ansiedade. Uma comunicação aberta permite clarificar expectativas, necessidades, limites e significados atribuídos à sexualidade, ajudando a despersonalizar a discrepância de desejo e a enquadrá-la como uma experiência relacional e contextual."

Vivelavita: É possível recuperá-lo através da terapia?

Iolanda Barros: "A intervenção foca-se na redução dos fatores inibidores, no aumento da segurança emocional e na promoção de experiências de intimidade positiva. Os modelos que valorizam o desejo responsivo e uma sexualidade menos centrada no desempenho (performance) têm mostrado bons resultados clínicos."

Uma mensagem para quem sente culpa

Vivelavita: Que conselho daria a alguém que sente que o seu desejo diminuiu e começa a sentir-se culpado ou pressionado por isso?

Iolanda Barros: "O primeiro passo é normalizar a experiência. A diminuição do desejo sexual é comum e pode ocorrer em diferentes fases da vida, sem que isso represente necessariamente um problema individual ou relacional. A culpa e a pressão tendem a agravar a situação, funcionando como inibidores adicionais do desejo."

Por último, Iolanda refere que: "É importante ajudar a pessoa a deslocar o foco da ideia de 'falha' para uma compreensão mais ampla do contexto: níveis de stresse, estado emocional, saúde física, dinâmica relacional e expectativas interiorizadas sobre a sexualidade."

Agradecemos a Iolanda Barros por nos ajudar a normalizar um tema que nos afeta a todos e a todas. Processos como estes não têm de ser vividos em silêncio. Procurar orientação profissional em centros especializados como a CLIPSIFORM é uma forma de priorizar a nossa saúde emocional. Que esta conversa sirva de convite para viver uma sexualidade livre de expectativas e cheia de autenticidade.

Compartilhar:
Rocío Moñino
Escrito pela sexóloga
Rocío Moñino

Rocio Moñino es graduada en Psicología (Nº de colegiada AN11443) y especialista con Máster en Sexología por la Universidad de Sevilla. Con varios años de experiencia, ha ejercido en distintos centros y actualmente, es una de las asesoras principales de nuestro sexshop.


Deixe um comentário


Você não pode perder...
15% DESC
códigoBLOGVIVE