Vivemos numa sociedade hiperconectada onde as expectativas e as ficções culturais nos ditam constantemente como deveríamos comportar-nos, mesmo na intimidade da nossa cama. Muitas vezes, os encontros eróticos transformam-se numa espécie de "exame" onde avaliamos cada passo, esquecendo que o objetivo principal da sexualidade é o usufruto partilhado.
Hoje conversamos com Lola González e Estela Buenía, psicólogas e sexólogas do Centro Borobil, que nos ajudam a desmistificar a pressão do desempenho para aprender a conectar verdadeiramente com o corpo e o prazer real.
Podes ver a entrevista completa no nosso canal de Youtube:
Os mitos e a pornografia: o perigo de uma sexualidade ficcionada
Um dos maiores travões para o desfrute natural é o imaginário erótico que consumimos. Segundo explicam Lola e Estela, os filmes quotidianos e a pornografia comercial venderam-nos um modelo fictício e rígido, um "guion obrigatório" composto por preliminares medidos, sexo oral e uma penetração que culmina de forma mágica num orgasmo simultâneo.
Por não termos uma base de educação sexual real, adoptamos estas ficções como o único padrão válido. O dano que isto causa é imenso: em vez de nos ouvirmos e descobrirmos o que nos apetece a nós e ao nosso parceiro, tentamos encaixar à força numa receita pré-estabelecida.
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O menu erótico: ampliar os nossos gostos para além do coito
As especialistas do Centro Borobil propõem um símil muito útil e quotidiano: a gastronomia. Da mesma forma que todos sabemos perfeitamente que comida gostamos, qual não e assumimos que os nossos gostos podem mudar conforme o dia, o mesmo deveria acontecer na cama.
Para reduzir o nível de exigência, convidam-nos a planear "experiências" e ampliar o nosso menu erótico. Não há uma única forma de viver a erótica; existe um leque infinito de possibilidades válidas e saudáveis. Trata-se de explorar além da genitalidade, do coito ou da busca obsessiva do orgasmo, permitindo-nos descobrir o que nos faz sentir confortáveis em cada momento.

Ferramentas práticas para voltar a conectar com o desfrute
Se sentes que a pressão te desconecta do teu corpo durante um encontro erótico, as sexólogas sugerem duas diretrizes fundamentais que podemos começar a aplicar desde hoje:
- Quebrar o guion prévio: Trabalhar a mente nos dias anteriores para evitar a antecipação ansiosa. Mudar as expectativas irreais pela curiosidade de explorar.
- Comunicação explícita e natural: Permitir-se dizer em voz alta "hoje estou mais cansada", "tive um mau dia" ou "apetece-me experimentar algo diferente". Falar libera a tensão acumulada e gera um ambiente de confiança mútua.
No final do dia, a sexualidade não é um exame para passar nem uma tarefa a mais para apontar na lista de obrigações quotidianas. É um espaço de calma, descoberta e liberdade.
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