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Cansaço de namorar: por que as apps de encontros te esgotam emocionalmente

Publicado em 27/08/26 | Escrito por Rocío Moñino
Cansaço de namorar: por que as apps de encontros te esgotam emocionalmente

Entrar numa app sem ilusão, repetir sempre as mesmas conversas, sentir que tudo é superficial ou até acabar mais desconectado do que antes de começar a procurar. É o que se chama “fadiga de namorar”, e cada vez mais pessoas se identificam com ela. Para entender por que acontece, falámos com Jesús Alonso, docente e sexólogo especializado em aconselhamento e educação sexual, no podcast de Vivelavita.

Se queres ver a entrevista completa, podes clicar em este link para a ver no YouTube.

O que é a fadiga de namorar e por que sentimos isso cada vez mais?

Conforme explica Jesús Alonso, a nossa forma de nos relacionarmos evoluiu muito rapidamente nos últimos 15-20 anos, e essa mudança ocorreu em paralelo ao que ele chama de “autoimagem exigente”: exigimo-nos demasiado em todos os sentidos, e isso repercute diretamente na autoestima e em como nos relacionamos.

A isto soma-se a montra constante das redes sociais, onde vemos “tantas pessoas hiperfelizes, maravilhosas, estupendas” — uma imagem que, segundo Jesús, está muito longe da realidade, mas que gera um stress constante e uma vontade de namorar de forma rápida e instantânea. Procurar essa validação contínua (“para mim, para mim, serei eu”) de forma permanente acaba por gerar cansaço.

Dos “toques” ao scroll infinito: como mudou a nossa forma de namorar

Jesús Alonso lembra como, há não tantos anos, nos conhecíamos em ambientes muito mais espontâneos: o trabalho, um bar, uma discoteca. Hoje, grande parte das conexões começam através de um ecrã, seja em apps ou em redes sociais.

E ainda que há aplicações que tentam melhorar a dinâmica — com perguntas para quebrar o gelo, perfis onde se podem indicar valores pessoais ou que tipo de relação se procura —, para Jesús, o resultado líquido é que nos tornámos mais exigentes, mais seletivos e, paradoxalmente, mais desajeitados na arte de conhecer alguém.

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Por que as mesmas conversas de sempre geram tanto desgaste

Um dos fatores que mais contribui para a fadiga de namorar é a repetição: “O que fazes? De onde és? Tens filhos?” — o mesmo guião, uma e outra vez, em cada nova conversa. Segundo Jesús Alonso, por trás deste cansaço há algo mais profundo: uma carência de carinho e de conexão real na sociedade atual.

Ele ilustra com um exemplo geracional: na infância, costumamos dar carinho com mais naturalidade, mas ao chegar à adolescência e à vida adulta, essa rede de apoio próxima se dilui e cada pessoa “começa a procurar a sua própria vida”. Esse vazio é o que muitas pessoas tentam preencher rapidamente através das apps, o que agrava a sensação de stress e de urgência ao namorar.

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O desejo também mudou: o que se ganha e o que se perde ao namorar por ecrã

Jesús Alonso é claro num ponto: a química real que se gera cara a cara — essa tensão que se nota em pessoa — não existe da mesma maneira através de um ecrã. De fato, é possível sentir conexão enquanto se fala pelo telemóvel e experimentar uma desconexão total ao ver-vos em pessoa pela primeira vez.

Ainda assim, ele reconhece também uma parte positiva: as redes sociais e as novas tecnologias podem ajudar a manter uma conversa próxima ou até desejo sexual à distância, especialmente em conexões com pessoas que estão longe.

O ponto de alerta chega com padrões como o love bombing (uma avalanche inicial de atenção e interesse), o breadcrumbing (dar pequenas migalhas de atenção para manter alguém preso sem se comprometer) e o ghosting (desaparecer sem explicação). Jesús Alonso adverte que, quando o desejo e a conexão se geram muito rapidamente através de um ecrã, também se rompem com a mesma rapidez — e muitas vezes de um modo que considera pouco responsável a nível emocional.

Como reconectar sem perder a ilusão

A reflexão final de Jesús Alonso é clara: é completamente normal cansar, e cansar de namorar em algum momento da vida também é. Mas o amor, diz, continua a ser “o mais importante do mundo”, e as apps e redes sociais nem sempre são a estratégia mais adequada para encontrá-lo.

A sua recomendação é simples: recuperar as velhas formas de conhecer pessoas, sem deixar de lado completamente o digital, e não desperdiçar as oportunidades de conhecer outras pessoas cara a cara — porque, como ele mesmo resume, “somos seres de encontro”.

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Rocío Moñino
Escrito pela sexóloga
Rocío Moñino

Rocio Moñino es graduada en Psicología (Nº de colegiada AN11443) y especialista con Máster en Sexología por la Universidad de Sevilla. Psicóloga Sanitaria con varios años de experiencia, ha ejercido en distintos centros y actualmente, es una de las asesoras principales de Vivelavita.


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