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Conversas de almofada: como falar sobre desejo sem magoar o teu parceiro.

Atualizado em 29/06/26 | Escrito por Rocío Moñino
Conversas de almofada: como falar sobre desejo sem magoar o teu parceiro.

Quando falamos com o outro/a, em qualquer interação entre duas pessoas, estão a ser geridas muitas habilidades ao mesmo tempo. Os dois grandes protagonistas são a comunicação verbal e não verbal. Fica, que te contamos como falar com a tua parceira de desejo sem a magoar, com alguns truques.

Por que é difícil falar de sexo em casal?

O primeiro motivo seria porque não se tem ensinado. As práticas eróticas chegam até nós na adolescência através dos filmes de ficção para adultos e pelos nossos iguais. Quando se tem falado noutros contextos (família, escola, etc.), recebeu-se silêncio ou respostas como: “isso não se diz” ou “isso é algo de adultos”. É contraditório receber este tipo de mensagens quando a realidade é que com os iguais sim, te vais aproximando deste tipo de experiências e queres fazê-lo, mas vais às cegas.

Quando somos adultos, é curioso experimentar como aplicamos, mais uma vez, a aprendizagem que temos. O comportamento de não falar sobre práticas íntimas com o parceiro é algo normativo porque nos disseram que disso não se falava; via-se vergonha nas pessoas adultas quando se sentiam comprometidas nesse tema e tinham transmitido que, de certa forma, era algo mau que se faz, mas de que não se fala.

Falar de sexo tem uma conotação negativa pela visão que acreditamos que o outro pode ter de nós. Claro, existe uma lacuna de género porque as mulheres são julgadas de forma mais severa, nestes casos.

A importância do contexto e do tom

A confiança com o parceiro é uma das chaves mais importantes para que se possa ter a segurança de falar de sexualidade, sobretudo pelo contexto cultural explicado anteriormente.

Essa confiança fará com que possam sentir-se confortáveis com o outro para falar sem se sentirem julgados.

De forma mais concreta, ao não ter experiência neste tipo de conversas, tem mais sucesso que se realize um plano entre os dois como casal. O plano consiste em organizar e estabelecer um espaço em casa para poder falar sobre este tipo de temas quando necessário. Nem sempre terá de ser assim tão estipulado, mas ao início é necessário que se faça como um protocolo para que se possa internalizar a aprendizagem e cada vez custe menos ter essas conversas.

O tom de voz é outro fator importante. Dentro da comunicação não verbal há muitos ingredientes que influenciam para que a conversa seja eficaz. Hoje daremos o protagonismo ao tom, já que não se transmite o mesmo quando o tom é mais elevado, agudo, grave, baixo, médio, etc. Todas estas formas de se exprimir estão a enviar uma mensagem à outra pessoa.

Por exemplo, se se diz a frase: “tanto me faz” e o tom é elevado, é mais provável que o parceiro possa pensar:

1. "Não tanto lhe faz".

2. "Irrita-o falar sobre este tema".

e muitas mais possibilidades que cada pessoa pode interpretar, mas todas estarão focadas em pensar que a outra pessoa não está aberta a tratar o tema.

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Ideias suaves para iniciar a conversa

Algumas das ideias que podemos ter em conta para iniciar a conversa com o nosso parceiro são:

  • Fazer um primeiro contacto expressando que se necessita falar de um tema que se quer partilhar.
  • Propor um espaço confortável em casa para que se dê essa conversa.
  • Combinar com o meu parceiro e fechar uma data na qual ambas as partes possam estar sem preocupações excessivas do presente imediato; ou seja, fechar uma parte do dia em que não se esteja demasiado cansado, sem filhos por perto, etc. Talvez reservar um momento no fim-de-semana, se na vossa situação se tem mais tempo.
  • Ainda que tenha sido dito um momento concreto, se chega o momento e algum dos dois membros do casal não quiser ter a conversa, começaria por aqui:
    • Por que não tens vontade de ter a conversa?
    • Queres que falemos de como te sentes?

Explicar ao outro/a o que te sucede é parte da conversa, já que se quer transmitir à outra pessoa como te encontras e todas as áreas vitais influenciam na sexualidade.

  • Se as duas pessoas têm vontade e uma boa atitude de ter a conversa, deixo-te algumas perguntas que podem ajudar a quebrar o gelo:
    • O que nos impede de ter intimidade?
    • O que é para nós ter intimidade?
    • Para ambos têm de ser sempre realizadas práticas eróticas concretas para sentir essa intimidade com o outro/a?
    • Quais são as práticas eróticas que mais gosta cada um/a?

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Como receber e responder a pedidos delicados

Algo prático e chave será responder desde o que sentimos, mas isso não é suficiente na interação com o outro/a. A pessoa que nos escuta e que quer compreender-nos precisa também ser compreendida. Por este motivo, quando o parceiro nos comunica certos pedidos para melhorar ou sentir mais desejo, pode-se investigar nisso desde a curiosidade. Ao não estar habituado/a, pode-se perceber como um ataque porque não se acredita que é algo que se está a fazer mal, mas o melhor é afastarmo-nos dessa crença e pensamento. Colocar a atenção no que a pessoa te conta, mostrar-te com perguntas e pedir ao parceiro que explique em que se poderia intervir da tua parte para que isso se possa tornar realidade.

Pode ser que o parceiro peça algo que não entra dentro do que queremos fazer e pode-se comunicar desde essa perspetiva: "Compreendo que gostas, mas a mim não me apetece realizar esse comportamento porque não me sentiria confortável".

Saber receber e responder a pedidos não é sinónimo de aceitar essas inquietações que o parceiro tem; trata-se de saber que a outra pessoa está motivada/o, de alguma maneira, com esse tipo de desejos que te apresenta e quer partilhá-lo para ver se se pode chegar a um acordo, negociar certos termos ou negar que se possa realizar contigo.

💜 O teu bem-estar é a nossa razão de ser; obrigado por nos deixares fazer parte dele.

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Rocío Moñino
Escrito pela sexóloga
Rocío Moñino

Rocio Moñino es graduada en Psicología (Nº de colegiada AN11443) y especialista con Máster en Sexología por la Universidad de Sevilla. Psicóloga Sanitaria con varios años de experiencia, ha ejercido en distintos centros y actualmente, es una de las asesoras principales de Vivelavita.


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