O que é a síndrome do colega de casa?
A síndrome do colega de casa é um conceito que se tem tornado popular e se refere ao casal que vive junto e se dá bem, geralmente tem uma boa convivência, mas que a sua relação se reduz à organização das tarefas diárias.
Isto significa que as pessoas que compõem a relação têm a sensação de que se dão bem com o parceiro, mas perderam o tempo íntimo juntos em muitas áreas da sua relação, não apenas na parte sexual.
Costuma ocorrer em casais que estão há vários anos juntos e que têm filhos em comum. Pode acontecer em qualquer tipo de casal, mas veem-se mais casos quando se cumprem esses dois fatores.
As fases neurobiológicas do amor: da dopamina à ocitocina
De acordo com vários estudos referidos no artigo “Neurobiologia do amor romântico. Neurotransmissores, neuro-hormonas e cérebro nas relações amorosas”, podemos resumir que o amor romântico se sustenta numa complexa base bioquímica onde neurotransmissores e neuro-hormonas como a dopamina, a ocitocina e a vasopressina ativam regiões cerebrais específicas vinculadas ao prazer e ao vínculo afetivo.

Esta ativação dopaminérgica sugere que o enamoramento funciona como uma "dependência natural" evolutiva, originalmente desenhada para assegurar a formação de casais e a sobrevivência da espécie. No entanto, embora a neurobiologia explique o mecanismo que nos impulsiona a manter relações no tempo, o amor transcende o puramente biológico para se tornar num fenómeno simbólico e cultural, no qual influem muitos mais fatores do que os neurológicos.
No amor influem mais fatores do que os neurológicos. Estes fatores são os contextuais, os culturais e os simbólicos.
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Porque a estabilidade não é uma crise (ainda que pareça)
Que haja estabilidade na relação não significa que exista a síndrome do colega de casa.
Nas relações a longo prazo, o casal deixou para trás a fase do enamoramento e chegou a uma etapa mais madura na relação que faz com que se sinta tranquilidade, entre outras sensações protagonistas nesta fase. Sentir-se ou estar tranquilo/a não significa que seja aborrecido ou que se tenha deixado de cuidar a relação.
A rotina pode influenciar, mas também não há uma relação direta entre rotina e sentir-se como um colega de casa com o seu parceiro.

Sinais de alerta: como saber se estás em modo "roommate"?
Alguns sinais que apontam os especialistas na clínica e veem em consulta diariamente, como por exemplo Tomás (2023), são os seguintes:
| Não passar tempo juntos | Trabalhar muitas horas, ter muitas obrigações no dia-a-dia, ver-se quando chega a noite com um cansaço extremo são alguns dos exemplos que se podem apontar para justificar que o tempo que podem passar os casais às vezes é escasso. Se unirmos este contexto com não procurá-lo de forma proativa entre ambas as pessoas, pode chegar a ser um costume que se transforma no dia-a-dia do casal. |
| Gaveta fechada dos conflitos | Ao longo da relação existirão conflitos entre os membros do casal. Estes conflitos podem estar colocados em cima da mesa ou podem ser colocados numa gaveta com chave. Quando se colocam na gaveta, pode dar a sensação ao casal que isso ficou para trás, mas continua latente porque não está resolvido. |
| Não cuidar do parceiro | Cada membro do casal tem que alimentar o vínculo que construíram, pois quando isso deixa de acontecer, a relação vai-se deteriorando com o passar do tempo. |
| Comunicação deficiente | A comunicação pode dar a impressão de que é eficaz porque o casal sabe organizar-se e não existem discussões muito assinaladas, mas não quer dizer que as habilidades comunicativas da relação sejam ótimas para poder resolver os conflitos, as diferenças ou a mudança de etapa que vai ocorrendo na relação. |
| Vinculação dos filhos/as | Um momento vital importante no casal é quando entram os filhos e o sistema muda. Já há mais pessoas que compõem a família, embora o casal continue a ser composto por duas pessoas, mas o foco de cada um muda de forma diferente. Encontrar equilíbrio entre a vinculação com o filho/a ou filhos/filhas e com o parceiro requer trabalho e consciência. |
| Stress e trabalho | Alguns membros da relação, dependendo do posto que tenga, podem passar muitas horas a trabalhar, seja no local de trabalho seja na sua própria casa. Isto alimenta o primeiro motivo de não dedicar ou passar tempo em casal. |
Voltar a conectar: 2 exercícios práticos para reencontrar-se
- Hoje vamos falar de nós: preparar um espaço e um tempo para vocês é o primeiro passo que se necessita para poder estar. O objetivo de momento é falar do casal. Apenas falando de como se sentem e se encontram neste momento da vossa vida pode dar lugar a encontrar a intimidade e a conexão. Se não acontecer, pelo menos, puderam estar um tempo juntos para falar do que ocorre na vossa relação. Deixo-vos algumas perguntas que vos podem servir:
Que diferenças vemos no comportamento que temos um com o outro com o que tínhamos há uns anos quando não nos sentíamos assim?
O que gostaríamos de fazer juntos que não estamos a fazer neste momento da nossa relação?
Que cuidados vemos necessários que se realizem para nos sentirmos melhor na relação que temos?
- Eu toco-te, tu tocas-me: ao passar do tempo, às vezes, há casais que deixam de se tocar, de se abraçar, de se beijar, de dar as mãos... Pequenas demonstrações de carinho e proximidade no dia-a-dia que deixaram de se realizar na relação e representam um reforço que não existe no casal. Este exercício consiste em voltar a ter contacto com a pessoa que escolheste para estar e se poder voltar a cultivar a intimidade entre vocês.
O exercício consiste em que devem escolher duas demonstrações de carinho que sentem falta e querem voltar a realizar entre vocês. Enquanto estiverem a decidir com o vosso parceiro quais serão essas duas demonstrações, começar-se-á a praticar no dia-a-dia por ambas as partes do casal. Pode acontecer que no início se encontrem estranhos pela falta de hábito, mas pouco a pouco será integrado novamente num hábito do casal que faz com que ocorram trocas positivas entre ambos os membros.
Espero que esta notícia vos tenha servido para descobrir informação interessante e útil para a vossa relação. Se precisares perguntar mais dúvidas estaremos encantadas em resolvê-las desde Vivelavita. Podes contactar através do email info@vivelavita.com
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