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O corpo que habitas é suficiente: Guia profissional para viver uma sexualidade plena hoje

Atualizado em 24/02/26 | Escrito por
O corpo que habitas é suficiente: Guia profissional para viver uma sexualidade plena hoje

A sexualidade é muito mais do que um ato físico; é um reflexo de como nos vemos, como nos sentimos e como habitamos o nosso próprio corpo. Na VivelaVita, tivemos o privilégio de entrevistar a equipa de especialistas da psYonline Portugal, liderada por Anabela Vitorino Costa, para aprofundar a complexa relação entre a mente, a autoimagem e o prazer sexual.

Aqui trazemos as chaves desta conversa essencial para entender por que razão, às vezes, o maior bloqueio para o prazer não está no corpo, mas sim no nosso olhar.

O ponto de partida: psicologia à medida

VivelaVita: Anabela, para começar, gostaríamos de saber um pouco mais sobre si e sobre o projeto que representa.

Anabela Vitorino Costa: Sou psicóloga clínica (OPP 3786), desde o ano 2000. Tenho trabalhado com todas as idades, integrando diferentes formações e especializações, sendo a maior delas o próprio processo de consciencialização e autoconhecimento.

Represento a psYonline Portugal, uma plataforma que nasceu do desejo de que mais pessoas tenham acesso ao cuidado da sua saúde mental com versatilidade. Queremos que a psicologia seja um suporte à medida, onde cada um escolha o seu momento e duração. Contamos com profissionais especializados em áreas que vão desde a clínica e a saúde até à educacional, organizacional e desportiva, utilizando abordagens como a TCC, a Psicanálise ou o EMDR. Os nossos pilares são a escuta, o cuidado e o acolhimento.

Integro e represento a marca psYonline ® em Portugal, pelo que convidei também as colegas que estão na plataforma para esta entrevista, as quais responderão a algumas questões.

O mapa mental do prazer: autoimagem vs. corporalidade

VivelaVita: Muitas pessoas confundem o que veem no espelho com o que sentem. Como é que estes conceitos se relacionam na nossa sexualidade?

Tereza Cristina: É importante compreender que a autoimagem é a construção mental e simbólica que a pessoa faz de si mesma, enquanto a corporalidade é a dimensão física e sensorial; ou seja, é o corpo em movimento. Desta forma, enquanto a autoimagem é o "pensar sobre o corpo", a corporalidade é o "viver o corpo".

Definir a relação entre autoimagem e corporalidade é essencial para compreender como nos relacionamos com o prazer, com o outro e com a nossa própria identidade. No desenvolvimento de uma sexualidade plena, estes dois conceitos não são apenas paralelos, mas sim entrelaçam-se de forma profunda.

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A autoimagem deve servir como uma base de autoconfiança, e a corporalidade deve ser explorada através do autoconhecimento, para que o indivíduo saiba o que lhe agrada antes de o partilhar com outra pessoa. Neste contexto, considerando a autoimagem e a corporalidade, é importante entender que o desenvolvimento de uma sexualidade plena é um processo de desaprendizagem de padrões externos para a aprendizagem dos ritmos internos de cada indivíduo.

Os inimigos do desejo na consulta

VivelaVita: Quais são os complexos ou distorções da imagem corporal que encontra com maior frequência em consulta?

Maria Paiva: Em consulta, as distorções da imagem corporal que encontro com mais frequência incluem a perceção exageradamente negativa de partes específicas do corpo — por exemplo: "tenho uma barriga enorme", quando objetivamente não corresponde à realidade —, a comparação constante com padrões irreais e a crença de que o valor pessoal depende da aparência física. Também vejo muitos casos de vergonha corporal enraizada: pessoas que evitam os espelhos, a luz acesa na intimidade ou determinadas posições por medo de serem vistas.

VivelaVita: De que forma é que estes complexos atuam como "bloqueadores" reais durante o sexo?

Maria Paiva: Funcionam através de uma autoconsciência excessiva. O desejo sexual exige entrega e presença. Se estás mentalmente focado em como te avaliam, deixas de estar disponível para sentir. A mente entra em "modo vigilância", perguntando-se: Como é que eu estarei? Será que ele(a) está a reparar nisto?.

Isto ativa a ansiedade em vez da excitação. O corpo, por sua vez, responde a essa ansiedade com tensão muscular, menor lubrificação ou dificuldade de ereção, criando um ciclo que confirma a insegurança inicial.

A armadilha da perfeição visual

VivelaVita: Vivemos numa cultura de alta exposição visual. Como é que os atuais padrões de beleza influenciam a segurança sexual das pessoas?

Iraci Ferreira: Do ponto de vista psicológico, isto afeta a segurança sexual, uma vez que pode gerar insegurança com o próprio corpo, medo da rejeição e dificuldade em dizer “não” ou expressar limites. Quando o valor sexual fica ligado unicamente à aparência, a pessoa pode envolver-se em relações para satisfazer o outro, e não por escolha ou desejo próprio.

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VivelaVita: Que ferramentas podemos usar para desvincular o nosso valor sexual da estética?

Iraci Ferreira: Para desvincular o valor sexual da estética, a psicologia propõe algumas ferramentas simples e acessíveis: compreender que os padrões de beleza são construções sociais que mudam com o tempo; questionar pensamentos como "o meu corpo define o meu valor?"; fortalecer a autoestima a partir de quem se é e não de como se parece; e aprender a respeitar o próprio corpo, os seus limites e sentimentos.

Voltar ao corpo: o papel do mindfulness

VivelaVita: Diz-se que muitas pessoas vivem "desconectadas" do pescoço para baixo. Que papel desempenha a consciência corporal ou o mindfulness na capacidade de sentir prazer?

Anabela Vitorino Costa: Se uma pessoa começar a ser consciente do que pensa, do que sente no seu corpo, de como se move e como age, passará a compreender a responsabilidade que tem na sua vida e na dinâmica das suas relações.

A consciência corporal é absolutamente importante neste processo de autoconhecimento e na capacidade de sentir prazer. O mindfulness é uma das técnicas que pode ser utilizada para esse contacto, essa consciência de si mesmo. Quanto mais simples for a técnica, melhores serão os resultados.

VivelaVita: Como podemos começar a praticá-lo?

Anabela Vitorino Costa: O mais simples é parar algumas vezes ao dia e "centrar-se":

  • Situar-se mentalmente no centro do peito.

  • Inspirar lentamente (pode contar até 4 ou 5).

  • Expirar lentamente várias vezes.

  • Quando surgirem pensamentos ou emoções, simplesmente deixá-los passar sem se prender a nenhum deles.

Ao realizar esta prática com consistência, chegará um momento em que, de forma natural, terá mais consciência das emoções, do corpo e dos pensamentos. Nesse instante, terá todas as possibilidades para mudar o que considerar necessário rumo a uma vida relacional mais plena e saudável.

Insegurança no casal

VivelaVita: Quando a insegurança física afeta a relação, como se pode abordar este tema com o parceiro sem que se torne um tabu ou uma fonte de maior ansiedade?

Alessandra Fraga: Na Terapia Cognitivo-Comportamental, compreendemos que os pensamentos automáticos e as crenças disfuncionais — como o medo da rejeição ou a sensação de não ser suficiente — podem intensificar a ansiedade. Acolher esses sentimentos e reconhecê-los é o primeiro passo para conseguir que este tema deixe de ser um tabu.

Ao falar sobre isso, é importante escolher um momento tranquilo e adotar uma comunicação afetiva e assertiva, priorizando o falar na primeira pessoa. Partilhar a insegurança como uma vulnerabilidade, e não como uma acusação, permite fortalecer a segurança emocional e o vínculo.

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O corpo que habitas é suficiente

VivelaVita: Se pudesse deixar apenas uma mensagem fundamental a alguém que hoje se sente incapaz de desfrutar da sua sexualidade devido à sua autoimagem, qual seria?

Teresa Moreira: Todo o ser humano merece ter prazer, ter intimidade e afeto exatamente como é. Viver a sexualidade deve ser um ato de presença e não de aparência!

Desfrutar da sexualidade não exige esconder partes de ti, mas sim reconhecer que o prazer nasce da presença, do consentimento e da relação com o outro — não da perfeição física —. É sentir, explorar e conectar-te contigo e com o outro, mesmo nos dias em que o corpo parece pesado, estranho ou deformado. O prazer é uma experiência humana, diversa e imperfeita, tal como nós.

Como dar o primeiro passo para o teu bem-estar?

Se te sentiste identificada com estes bloqueios ou sentes que a tua autoimagem está a travar a tua capacidade de desfrutar, lembra-te de que não tens de percorrer este caminho sozinha. A equipa da psYonline Portugal oferece um espaço seguro e flexível para trabalhar a tua conexão corporal e emocional através de diversos formatos (desde consultas breves por minuto até sessões de psicoterapia estruturadas).

Podes conhecer todas as especialistas e começar o teu processo de mudança hoje mesmo visitando a sua plataforma oficial aqui. Além disso, podes seguir os seus conselhos diários e próximos workshops no seu perfil de Instagram @psYonline_portugal.

Agradecemos especialmente à psicóloga Anabela Vitorino Costa e a toda a sua equipa de especialistas por nos lembrarem que o prazer não é um destino de perfeição, mas sim um processo de presença e autoaceitação.

Esperamos que este guia profissional seja o primeiro passo para que te reconectes com o teu corpo e redescubras uma sexualidade baseada no respeito e na plenitude. Porque, como aprendemos hoje, o corpo que habitas já é suficiente para começares a sentir.

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Rocío Moñino
Escrito por
Rocío Moñino

A Rocío Moñino é licenciada em Psicologia (n.º de colegiada AN11443) e especialista com Mestrado em Sexologia pela Universidad de Sevilla. Psicóloga clínica e da saúde com vários anos de experiência, exerceu em diferentes centros e é atualmente uma das principais consultoras da VivelaVita.


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